
“A Great Day From Freedom” começa com David Gilmore cantando junto com as notas do piano de Richard Wright – um detalhe curioso e particular é o fato de ver em mente a imagem de um velho barbado caminhando sobre as notas de piano –. Em seguida, me vejo preso numa imensa prisão a céu aberto, prisioneiro das minhas dúvidas e incertezas.
Conforme “A Great Day From Freedom” evolui, é como se eu crescesse junto a ela. Algo como ganhar forças para bater de frente com os meus carmas. Quando David Gilmore começa a solar em sua Fender Stratocaster – que, diga-se de passagem, é de um timbre inconfundível – é como se os enormes portões dessa prisão se abrissem, provocando uma ótima sensação de alívio...
“Wearing The Inside Out” talvez seja a música mais psicodélica desse álbum. Seus versos são uma profunda “reflexão de uma mente em coma” e Richard Wright os canta de maneira brilhante. Sua interpretação é tão profunda que ele consegue transmitir todo esse clima a ponto de te inserir pra dentro dessa mente em coma.
Quando as backing vocals entram em ação, a música fica mais interessante. Pois a interação entre o vocal principal e as backing vocals sugere um diálogo entre os pólos opostos dessa mente. E pra ressaltar ainda mais a presença significativa das backing vocals na música, notem que a música passa a ter uma pequena e significativa mudança em sua atmosfera – escutem e percebam –. As backing vocals dão a música uma certa sensualidade feminina que a leva para outros rumos, algo mais distante daquela morbidez que é sugerida no começo.
A letra, os arranjos de cada instrumento (teclado, baixo, guitarra, saxofone, a percussão adicional, a bateria sempre precisa e elegante de Nick Mason, enfim...), as vozes..., tudo isso se encaixa de maneira perfeita para que “Wearing The Inside Out” tenha uma atmosfera misteriosa. Essa música, assim como as outras, merece ser escutada com muita atenção.
Agora, por onde devo começar com “Take It back”? O que escrever sobre essa música? Quais pontos devo destacar dessa música?
Tisc, “Take It back” foi à primeira música que escutei desse álbum e, na época, foi à música que mais me chamou a atenção – ao lado de “Coming Back To Life” –.
Bem, “Take It back” é uma música simples, porém grandiosa. Talvez sua simplicidade se dê pelo fato de não haver um grande solo de guitarra – aliás, que fique bem claro: um solo de guitarra não é a parte mais importante de uma música! –, um teclado carregado de efeitos psicodélicos, uma linha de contrabaixo mais virtuosa ou até mesmo vocais excepcionais. O fato de não haver destaques entre esses pontos como se existisse uma competição entre os músicos – isso nunca foi o caso do Pink Floyd e, acreditem, algumas bandas compõem dessa maneira – faz com que eu veja a música como algo único e nada mais.
Ao contrário de “obras” feitas para se encaixar e agradar um determinado seguimento, “Take It back” é uma música feita para TODOS. Ela não tem sexo, cor, credo, idioma, pátria, ou seja, lá o que for. Ela consegue quebrar barreiras e preconceitos para atingir a todos de maneira única. A sensação de bem-estar que essa música desperta é mútua, é igual para todos que a escutam. E quando uma música alcança tamanha magnitude, ela se torna universal. E daí vem a sua grandiosidade!
Escutar “Take It back” é algo que me faz bem. Recomendo a todos que a escutem em volume alto para que outras pessoas se contagiem com tamanha diversão. Aliás, “Take It back” é uma boa trilha sonora para uma diversão entre pais e filhos.
Continuando..., para a alegria dos amantes de guitarra, chegamos a um dos pontos mais emocionantes do “The Divisioin Bell”, a música "Coming Back to Life". A música começa com um belo solo de guitarra que surge do nada para te salvar da morte. É como se você estivesse perdido, cansado, faminto, desmaiado, sem forças para respirar, enfim, nas últimas. Então, surge esse solo de guitarra vindo de uma Fender Stratocaster tocada lindamente por David Gilmore que, diga-se de passagem, me faz querer ter cada vez mais uma guitarra Fender Stratocaster.
A própria situação de escapar da morte está estampada no título da música que pode ser vista como uma luz no fim do túnel. Não sei como explicar, mas a guitarra surge como uma mão que puxa uma pessoa prestes a morrer afogada no fundo de uma piscina.
Bom, essa foi à segunda parte de uma viagem feita através do álbum “The Division Bell” do Pink Floyd. Espero que todos tenham gostado.
Mil desculpa pela demora, mas aconteceram algumas coisas e, por isso, acabei atrasando com este post. Semana que vem estarei postando a parte final dessa viagem. E sem falta!
No mais, gostaria de agradecer a Camila e a Laura pela paciência, cobrança e incentivo. Muito obrigado!
Tenham todos um ótimo feriado!
Beijos e abraços, fiquem bem...