Eliana tem 17 anos de idade, filha única de uma família simples, mora num bairro comum com seus pais, seu Humberto e dona Helena. Garota inteligente, estudiosa, esperta, brincalhona e completamente amorosa com as pessoas. Eliana é um encanto de garota e grande motivo de orgulho para seus pais e até mesmo para a vizinhança do bairro.
Nas manhãs de sábado, Eliana estuda inglês numa escola particular graças a uma bolsa que havia ganhado ao vencer um concurso de redação realizado por um shopping da região. À tarde, ela dá aula de reforço para as crianças da sua rua pela simples satisfação de ajudar o próximo – aliás, essa é uma qualidade que herdara dos seus pais. Aos domingos, Eliana fica em casa com seus pais, vai para a igreja, estuda e ainda acha um tempinho para se divertir.
Seu Humberto, seu pai, trabalha como gerente de uma pequena pizzaria não muito longe do bairro onde moram. Homem trabalhador, responsável e dedicado, seu Humberto está sempre de bom humor e disposto a ajudar as pessoas. Já dona Helena é professora de uma escola primária. Mulher religiosa, dona Helena faz questão de que Deus esteja sempre presente na vida de sua família, mas sua fé não é algo doentio a ponto de ser vista como a “crente chata” do bairro. Pelo contrário, dona Helena faz da sua fé algo útil.
Há pouco tempo, para a alegria de todos Eliana foi aprovada no vestibular de uma faculdade federal. Ela ficou entre os primeiros colocados em medicina. Seu sonho estava prestes a começar.
Agora, nas vésperas do início das aulas na faculdade e próxima de completar 18 anos, Eliana encontra-se em casa com uma das costelas e as duas pernas quebradas, seu maxilar também está quebrado, seu rosto está completamente desfigurado e ela ainda tem algumas queimaduras espalhadas pelo corpo e que foram feitas com o ferro de passar roupa. Eliana ainda teve um dos mamilos arrancado e, por sorte, a costela quebrada não perfurou seu pulmão. Essas são as marcas deixadas pelo homem, ou melhor, pelo monstro que não se conteve só em estuprá-la.
Tudo isso aconteceu há pouco mais de um mês e meio. Eliana foi encontrada dentro de casa por uma vizinha. Seus pais haviam saído cedo naquela manhã enquanto ela ficara em casa dormindo. A vizinha que a encontrou disse que Eliana estava desmaiada, amordaçada, nua e ensangüentada no chão. Ninguém na vizinhança viu ou ouviu algo.
Desamparados, os pais dela procuram forças para lidar com toda essa situação. Ambos não têm se alimentado bem ou se quer cochilado, mas procuram tirar forças – não sabem de onde – para ajudar sua filha. Pois sabem que ela precisa deles mais do que nunca neste momento. Aliás, toda a vizinhança está comovida com o que aconteceu e procura ajudá-los no que podem.
Para completar, Eliana tem grandes chances de estar grávida e, isso, agrava mais a situação. Alguns parentes e amigos mais próximos já estão sabendo dessa possível gravidez e comentam em aborto com a família de Eliana. Para seu Humberto, ser avô de uma criança gerada de um estupro chega a ser um grande absurdo, algo inaceitável. Para dona Helena, abortar é ir contra as leis de Deus, mesmo si tratando da sua própria filha. Por outro lado, médicos e psicólogos aconselham a família para que nenhuma decisão seja tomada no escuro. Pois, estamos falando de duas vidas.
Já Eliana, apenas derrama suas lágrimas de dor.
FIM, ou Não...
Obs: a foto foi feita por mim, em julho de 2009. A rosa está no quintal da casa da minha prima Célia, que mora em Capão Bonito-SP.
Beijos e abraços, fiquem bem...


