quinta-feira, 26 de março de 2009

The Division Bell, parte I


Quando o Pink Floyd lançou o álbum “The Division Bell”, eu tinha apenas 13 aninhos de idade, isso em 1994 – acalmem-se, não sou tão velho assim, rsrs –. E olha que, com essa idade, eu já era uma criança fascinada com o álbum “The Dark Side Of The Moom”.
Confesso que o “The Division Bell” não me chamou tanta atenção logo de cara, a exceção das músicas "Take It Back" e “Coming Back To Life” que foram as músicas que eu mais gostei. Mas tudo bem. Eu tinha apenas 13 anos de idade.
Hoje quando escuto esse álbum, os ouvidos são outros. Aquele adolescente empolgado e ingênuo com a música já não existe mais. Hoje quando escuto esse trabalho do Pink Floyd – assim como tantos outros – logo me deixo levar pela música. Algo como se eu tivesse sendo transportado para alguma parte dentro desse imenso universo que é a música.
Essa viagem começa com o início da primeira música, “The Cluster One”, que começa com um chiado que vai crescendo em meio ao vento e logo vai “tomando forma”. Com um minuto e quarenta e seis segundos, algumas notas de piano seguidas por outras notas de guitarra surgem no ar. Os dois instrumentos parecem conversar feito um casal de namorados que tenta se acertar para não se separar. À medida que a música avança, ou melhor, à medida que a conversa avança, notas de outros instrumentos surgem para dar um certo ar de segurança que dá à música um final de satisfação, sinônimo de tranqüilidade para quem a escuta.
Na segunda música, “What Do You Want From Me” de imediato me leva para dentro de uma boate de stripper cheia de mulheres profissionais do sexo, bailando seus corpos “sedentos de prazer” e atirando seus olhares em busca de dinheiro. Algumas vestidas, outras seminuas, outras completamente nuas e sorridentes com seu dinheiro em mãos. Ainda tem o álcool, a fumaça do cigarro, a mesa de sinuca, as pessoas conversando em voz alta e eu. E eu sozinho, sentando naquele balcão, tomando minha vodka com gelo, olhando as pessoas se divertindo à minha volta e “ouvindo” aquela linda profissional do sexo falando comigo. Ao mesmo tempo, longe dali. Pensando numa mulher. E me perguntando: “o que você quer de mim?”.
“What Do You Want From Me” é uma música que “tem o cheiro da noite”. Dentro da boate, me vejo questionando determinadas relações que estou vivendo num mundo bem longe dali. Sejam elas amorosas ou não. É algo que sempre faço quando as coisas saem do seu curso. De certa forma é importante. Talvez seja estranho. Ou não!
Bom, o fato é que, diante de tantas dúvidas e incertezas, às vezes, o melhor a fazer é dizer um “foda-se”, sorrir e seguir a vida, mesmo correndo o risco de sofrer. Aliás, tomei essa decisão há alguns meses e fui muito bem.
A terceira música, “Poles Apart”, é completamente o oposto de “What Do You Want From Me”, é leve – mesmo tendo um certo sermão –. A música começa baixinha, com o dedilhado feito num violão com cordas de aço que tem ao fundo um teclado, depois se ouvi o som de um contrabaixo que logo some para David Gilmore começar a cantar. A música me faz lembrar de algumas coisas que fiz e que, de certa forma, achava que fosse o certo. Uma delas foi achar que extremidades opostas jamais pudessem conviver juntas. Então, decidi manter uma dessas extremidades (eu) longe da outra. E, assim, segui durante quase doze anos.
Hoje, vejo o quanto fui idiota e quanto tempo desperdicei. Foi preciso passar quase doze anos para ver o quanto estava errado. Como diz a
Jennifer: “o tempo é quem tem as respostas”.
Os versos de “Poles Apart” soam como um puxão de orelha no meu ego e lembrar desse erro chega a me dar aquele sentimento de vergonha, entende? Mas longe do que possa parecer, “Poles Apart” não é uma música que me coloca pra baixo. Pelo contrário. É uma música que me traz um bem-estar. Talvez pelo fato d’eu ter reconhecido meu erro e ter prazer em me dar à chance de viver bem com o outro lado oposto que na verdade nunca foi oposto, rsrs.
“Poles Apart” também me faz pensar num monte de crianças brincando num parquinho que depois dão lugar a um circo colorido, porém vazio. Enfim, não dá pra explicar tudo.
A música termina com um lindo solo de guitarra. Aliás, estou me segurando para não fazer comentários quanto à brilhante atuação dos músicos.
Seguindo com o disco... Sabe aquela sensação que você sente ao entrar em contato com algo novo? Junto com essa sensação vem um pouco de medo misturado com uma grande ansiedade em querer ver, conhecer e viver. É como uma pessoa que viveu toda vida dentro de uma bolha e, de repente, vê que existe vida fora daquela bolha e que ela pode se libertar para conhecer o mundo lá fora. Ou algo como viajarmos universo a fora e conhecermos outros seres tão iguais a nós seres humanos. Enfim, essa é a sensação que a música “Marooned” me traz. Uma ótima música instrumental aonde David Gilmore empunhado da sua guitarra, uma Fender mod. Stratocaster, parece contar uma história. E olha vale a pena fechar os olhos para ouvir o que essa guitarra tem a contar, rsrs.


Bom, apenas sugeri um cd de maneira diferente, contando um pouco do que sinto quando escuto esse grande álbum do Pink Floyd, "The Division Bell", e nada mais. Poderia fazer isso usando alguns conhecimentos musicais que são mais técnicos, mas isso ficaria chato e fugiria da proposta.
Por se tratar de um texto grande, resolvi dividí-lo em três partes. Os próximos posts darão sequência as músicas restantes.
Espero que tenham gostado.
E pra quem ficou na vontade, caso você tenha uma Livraria Cultura perto de você, esse cd custa apenas R$ 13,00.

Beijos e abraços, fiquem bem...

domingo, 22 de março de 2009

Escadas Sem Degraus


Tem blog novo adicionado na minha lista de sugestão, escada sem degraus. Esse é um projeto musical vale à pena ser conferido. Aliás, minha amiga Izabela Lima, com quem dividi bons projetos musicais, faz parte deste grupo. No blog do grupo, além de fotos e informações, é possível assistir alguns videos do grupo. Espero que gostem.

No mais, espero que todos estejam bem.
Tenham todos uma ótima semana.


Beijos e abraços, fiquem bem...

sexta-feira, 13 de março de 2009

Angra 2009, o retorno. E com o SEPULTURA...

Sepultura e Angra fazem turnê juntas pela primeira vez no Brasil e América Latina.

As duas maiores bandas brasileiras de metal, Sepultura e Angra, saem juntas pela primeira vez para uma grande turnê, que irá abranger todo o território nacional e América Latina. A tour, composta por mais de 20 cidades, e que inclui apresentações nas maiores casas de show do país, como Via Funchal em São Paulo e Canecão no Rio de Janeiro, ocorre durante os meses de maio, agosto e setembro.

O Sepultura dá início à turnê brasileira do recém-lançado CD A-Lex, após realizar uma turnê européia por mais de 20 países em fevereiro e março. A banda já tem a agenda lotada em 2009, com shows na Europa, Estados Unidos e Ásia. O disco, que acabou de ser lançado mundialmente e no Brasil pela gravadora Atração em janeiro tem sido muito elogiado pela imprensa especializada nacional e internacional.

O Angra, após um hiato de cerca de dois anos, volta para mostrar que continua com força total. A banda prepara um grande retorno, com um repertório que abrange os maiores sucessos do grupo e algumas surpresas.

Os thrash metallers do Sepultura, Derrick Green (vocal), Andreas Kisser (guitarra), Paulo Xisto (baixo) e Jean Dolabella (bateria) dividem o palco com Edu Falaschi (vocais), Kiko Loureiro (guitarra), Rafael Bittencourt (guitarra) e Felipe Andreoli (baixo). Ricardo Confessori, um dos primeiros membros do Angra, retorna ao grupo e substitui Aquiles Priester na bateria.

Estes são os shows confirmados para o mês de maio:

6/5 - Porto Alegre - Teatro do Bourbon Country
9/5 - São Paulo - Via Funchal
29/5 - Rio de Janeiro - Canecão
30/5 - Vitória - Ginásio Dom Bosco
31/5 - Belo Horizonte - Chevrolet Hall

Mais informações e agendas atualizadas em:


PQP! Pensem numa criança (EU) que ficou muito feliz com essa notícia?! E uma notícia dessas numa sexta-feira 13?! Eu nasci numa sexta-feira 13, rsrs.
Angra de volta aos palcos e com Ricardo Confessori de volta à banda, e fazendo uma turnê com o SEPULTURA... Puta, aí é pra matar o criança aqui de felicidade :)
Já comecei o meu final de semana feliz da vida com essa notícia. Domingo terá show do IRON MAIDEN - alguém vai?!
O final de semana promete.
Tenham todos um ótimo final de semana.
Beijos e abraços, fiquem bem...
E não esqueçam de ler o post anterior a este, Aldeia Global. É bem interessante.




quinta-feira, 12 de março de 2009

Aldeia Global

"Shopping center karaja
Meu relógio yanomami
Minha calça atroari
E o meu tênis do xingu

Aldeia Global
Aldeia Global
Aldeia Global
Aldeia Global

Ecologia cor-de-rosa
Em tupi "I love you"
Eu não sei o que é um índio
Mas eu quero "Queimar" um

Aldeia Global
Aldeia Global
Aldeia Global
Aldeia Global

Êh-reeee, meu disquete ritual
Êh-reeee, meu computador me diz
Não existem diferenças
E todo mundo é tão feliz"
(Mencius Melo)
Talvez ninguém esteja tão longe assim desse mundo globalizado em que vivemos, nem mesmo os mais isolados. Se isso é bom ou ruim, eu não sei. Mas é preocupante.
E vocês, o que vocês têm a dizer? O que pensam sobre isso?
Beijos e abraços, fiquem bem...
Obs: "Aldeia Global" é uma música da banda de rock Zona Tribal, uma banda da cidade de Manaus-Am.

terça-feira, 3 de março de 2009

Um nostalgico passeio

“Canto para amenizar grande dor que me traz o sorriso de alguém,
Se a minha escola querida cruzar a avenida eu canto também,
No campo vou jogando a minha vida pra você,
Por isso fecho os olhos pra não ver”

Cantados por uma linda e doce voz, estes são os versos que abrem o álbum “Delicada” da cantora Tereza Cristina que, como sempre, vem acompanhada pelo Grupo Semente. Os versos são um convite para um nostálgico passeio pelas ruas boemias da cidade maravilhosa, Rio de Janeiro.
Praias, morros, ruas apertadas e movimentadas, bares, aquele sotaque carioca com aquele 's' arrastado fazendo som de 'x', aquele ar de sujeito malandro e as famosas rodas de samba regadas por uma boa cerveja gelada e muita alegria. Pra completar esse nostálgico passeio, só mesmo estando vestido a caráter e, porque não, acompanhado de um verdadeiro boêmio feito Mario Lago.
A princípio, na primeira faixa do álbum, “Cantar”, Tereza Cristina parece chegar para completar uma tal solidão, mas logo ela mostra a beleza da música que tem um leve rebolado e apaga de vez essa impressão pedindo licença à solidão para passearmos um pouco.
Seguindo com Tereza Cristina, a música “A gente esquece” parece ser uma breve conversa sobre amores, ou melhor, águas passadas aonde os versos da música dizem que o melhor a fazer é seguir por outros caminhos nessas ocasiões. Após essa breve conversa, “Fim de romance” surge para colocar uma pedra naquele amor passado e, principalmente, para mostrar que nem todo fim de romance precisa ser embalado por uma melancólica canção, pois seu gingado é contagiante e arranca sorrisos de qualquer um.
Sem perder tempo, chegamos numa roda de samba aonde todos pareciam nos aguardar e logo fomos saudados com boas vindas com a famosa música “Nem ouro nem prata” que, apesar de me fazer lembrar do duro período de escravidão que nosso país carrega vergonhosamente em sua história, é uma música que exalta o orgulho e o respeito que devemos ter quando nos referimos ao nosso passado – Malu Paixão é um bom exemplo disso – independente das nossas diferenças. “Nem ouro nem prata” é pra fazer você sacudir o esqueleto mesmo que você não tenha samba no pé, pois isso é o de menos aqui.
Tudo bem, baixinho aqui entre nós: samba no pé não um dom deste que vos escreve, principalmente pra quem vem da terra da garoa. Então, o jeito é improvisar. E quando Pedro Miranda assume os vocais para falar um pouco das artimanhas do samba na música “Quebrando” e que é uma música mais ‘light’ para quem não entende do assunto, o bom é pedir ajuda para quem entende de samba no pé. Então, eis que com jeitinho chego ao lado de uma bela mulata do corpo escultural para pegar umas aulinhas. Bom, o resultado dessa atrapalhada e divertida aula de dança você pode imaginar, rsrs.
Quando Tereza Cristina volta cantando na música “Gema”, autoria de Caetano Veloso, é hora de se recompor, tomar uma boa cerveja gelada, conhecer melhor as pessoas e beliscar o famoso tira-gosto.
Entre conversas e boas risadas, a música “Carrinho de linho” logo te faz sacudir o corpo, mesmo que seja daquele jeitinho desajeitado. “Carrinho de linho” me vem em mente na forma de um videoclipe gravado em preto e branco que conta à história de um casal de velhinhos que vivem a vida com o grande vigor da juventude. Apesar de apaixonados um pelo outro, a cena que imagino do casal discutindo sobre as roupas que irão usar num baile de carnaval é bem engraçada. Mas logo tal discussão dá lugar à alegria dos dois dançando juntinhos num baile de carnaval no fim desse videoclipe.
Na música “Pé do lageiro” o clima se mostra tão bom que aceito o convite de batucar um pandeiro. Confiante de que estou fazendo bonito batucando o pandeiro, logo a onça da música “Pé do lageiro” resolve me botar para correr dali na maneira mais divertida possível.
De repente, em meio a tanta alegria, um silêncio toma conta de todos à minha volta. Todos pararam e olharam para o céu, um céu iluminado pelas estrelas que acompanhavam uma linda lua cheia. Preocupado e sem entender o que se passava naquele momento, escuto uma única voz que, de linda e doce, passou a ser séria, triste e, ao mesmo tempo, encantadora. Era Tereza Cristina fazendo uma prece à “Senhora das águas”, mãe Iemanjá. Logo, sua voz é seguida por uma batucada que, junto ao triste som de uma sanfona e um cavaquinho, tornam a música mais encantadora em meio as suas preces.
A maneira como essa música foi apresentada chama a atenção de qualquer um. Até mesmo dos nada religiosos presentes naquele momento.
Assim que a música acabou, alguns segundos de silêncio se seguiram, mas logo um cavaquinho puxa todos para dançar com a música “João teimoso”, uma música instrumental que conta com um saudável duelo entre uma flauta, um sax e o próprio cavaquinho. Essa música me faz lembrar das danças de salão feitas em bailes da terceira idade. ‘Também devo confessar que essa música me faz lembrar a vontade que tenho em freqüentar uma escola de dança para aprender a dançar não só coisas desse tipo como também salsa e tango – depois de revelar tal desejo, me vem no rosto um pequeno sentimento de vergonha por falar de algo tão particular, rsrs’.
A música título do álbum, “Delicada”, é um sambinha lento, feito pra dançar de rosto coladinho. A música fala sobre a cicatrização de uma ferida dentro do peito, sobre saber esperar e dar tempo ao tempo até o coração melhorar. Os versos da música são bonitos, a música é bonita.
Bem, com um ar de sermão à música “Delicada”, a música “A paz do coração” aparece para ensinar que não se deve trocar a paz de um coração pelas juras de amor de um malandro qualquer. Fico imaginando tais versos colocando esses malandros pra correrem...
Bom, antes da saideira ainda se tem mais um tempinho para ouvir versos que falam da triste dor de um coração machucado. “Saudade de você” consegue arrancar lágrimas de alguns casais apaixonados presentes naquela roda de samba. Talvez tamanha profundidade alcançada pela música se deva não só a voz de Tereza Cristina como também aos violinos que resolveram aparecer naquele exato momento de saudade.
E para terminar o passeio, nada melhor do que uma despedida em dose tripla com “Fechar a porta”, “Rosa Maria” e “Jura”. E como não pode faltar, muito samba no pé e mandem a tristeza pra bem longe.
Em meio a muita alegria e enquanto todos cantavam os versos da música “Jura” que é uma música bem animada que fala do arrependimento de um homem que jurou nunca mais se apaixonar pela mesma mulher, senti pelo olhar de Tereza Cristina que era hora de voltar para o meu mundo. Alias todos perceberam que tínhamos que ir. Mas o curioso foi que fizemos uma partida sem dizer tchau. Foi uma partida animada, embalada pelas vozes de um mundo que pouco conheço e que me faz querer conhecê-lo de verdade.
Quando sumimos das vistas daquela roda de samba, estávamos parados numa rua qualquer a poucas horas do sol nascer. Como estivéssemos chegado ao fim daquele nostálgico passeio boêmio, Tereza Cristina me olhou e sorriu. Depois sumiu.

Enfim, o álbum “Delicada” é um trabalho da cantora Tereza Cristina junto com o Grupo Semente que a acompanha desde o início da sua carreira.
Para maiores informações, acessem: http://www.teresacristinaesemente.com.br/
Fica a sugestão!
Espero que vocês tenham gostado do texto.
Obrigado a todos pela paciência!
Beijos e abraços, fiquem bem...